João Ishiguro

Formado em engenharia ambiental em 2009, sempre fui fascinado pela marcenaria e passei a me dedicar profissionalmente a ela a partir de 2018.
Essa transição não foi um rompimento com a ecologia, mas a expressão mais tangível dela: transformar matéria nobre que já viveu décadas em algo com permanência definitiva, capaz de atravessar gerações.
A segunda vida da árvore e a ética da matéria
A maioria das madeiras que utilizo é proveniente de quedas naturais de árvores nas cidades, dando assim uma nova vida à árvore que tanto já nos ofereceu enquanto viva e cujo destino seria o descarte ou a queima.
As demais madeiras, quando extraídas para marcenaria, são todas estritamente legalizadas, acompanhadas de Documento de Origem Florestal (DOF) e procedência fiscal transparente.
A oficina opera sob o princípio da circularidade com desperdício mínimo: toda a serragem gerada pelas plainas manuais é destinada à compostagem orgânica, enquanto pedaços menores de madeira são transformados em utilitários esculturais ou doados a pequenos entalhadores do Vale do Paraíba.
O atelier: silêncio, tempo e ferramentas manuais.
Instalada em São José dos Campos, a oficina é um ambiente dedicado ao ritmo próprio da madeira. Longe da pressa e da automação em massa, cada prancha descansa até a estabilização completa antes de receber os primeiros cortes de plaina.

Encaixes tradicionais japoneses e acabamentos naturais com ceras atóxicas.